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Saiba como controlar os nematóides, vermes que podem prejudicar seriamente as lavouras e ainda causar grandes danos a produção. Entenda também porque é difícil preveni-los.

Segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN), os nematóides são microrganismos que causam prejuízos de impressionantes R$ 35 bilhões a cada ano para o agronegócio brasileiro. Somente para a cultura da soja as perdas relacionadas aos nematóides são estimadas em R$ 16,2 bilhões.

De fato, os nematóides são organismos capazes de afetar profundamente o desenvolvimento de diversas culturas da nossa agricultura, resultando em sérias perdas da produção, porém eles há muito tempo fazem parte da “biota de áreas agriculturáveis”.

Por essa razão é fundamental que consigamos “conviver” com estes microrganismos. Para entender essa convivência, conversamos com Waldir Pereira Dias, pesquisador da Embrapa Soja. Ele nos apresenta as melhores estratégias para controlar o nematóide nas lavouras, sempre priorizando o menor dano econômico possível.

O que são nematóides e quais seus sintomas mais comuns?

Os nematóides são caracterizados como vermes que possuem o corpo em formato cilíndrico, geralmente alongado e com as extremidades afiladas. Em algumas situações, as fêmeas assumem formas aberrantes de rim, maçã ou outras que fogem da aparência corriqueira dos vermes.

Nematóides são geralmente microscópicos, habitando o solo, próximo à rizosfera, caracterizada como a região de contato entre o solo e as raízes da planta hospedeira e será exatamente nesta região que se dão os prejuízos, como explica o pesquisador da Embrapa Soja.

“O parasitismo dos nematóides caracteriza-se por comprometer o sistema de absorção de água e nutrientes da planta atacada, realizada por seu sistema radicular”.

Os nematóides são ainda capazes de viver em uma extensa variedade de ambientes, desde que tenha água disponível, isso porque são extremamente sensíveis a estresse hídrico e temperaturas extremas, sendo que apenas algumas espécies conseguem resistir à falta de água por muito tempo.

Os problemas da infestação por nematóides começam a ser percebidos na parte aérea da planta, que passa a ter dificuldade para retirar água e demais nutrientes do solo. Já os sintomas são bastante diversos, dependendo da cultura atacada. Dias dá o exemplo dos principais sintomas na cultura da soja, cultura com grande representatividade no Brasil:

“Os primeiros sintomas geralmente aparecem em reboleiras, onde as plantas ficam pequenas e amareladas, ocorre também intenso abortamento de vagens. Consequentemente, há redução na produtividade da cultura”.

Dias complementa citando que cerca 10% da produção anual da soja brasileira é perdida devido ao parasitismo por nematóide, representando seríssimos prejuízos.

Nematóides não são evitados. São controlados!

De modo geral, Dias explica que os nematóides já estão presentes nas áreas onde o agricultor implanta a lavoura, por isso “a prevenção é praticamente impossível”, explica.

Na concepção do pesquisador, também não é possível – nem viável economicamente – erradicar os nematóides de uma determinada área. “O produtor rural tem que conviver com os mesmos”.

Essa convivência significa manter as populações de nematóides no solo mais baixas, sempre abaixo do nível de dano econômico.

Dessa forma, algumas estratégias podem ser consideradas para controlar a população de nematóides, evitando que a população deste microrganismo cresça rapidamente e cause sérios danos à lavoura.

O pesquisador ressalta duas estratégias principais para o controle de nematóides, que são:

  • Rotação de culturas com espécies vegetais não hospedeiras e,
  • Uso de cultivares resistentes, quando houver a disponibilidade.

“A Embrapa tem um forte programa de pesquisa que visa desenvolver cultivares de soja com resistência aos nematóides de galha (Meloidogyne spp) e ao nematóide de cisto (Heterodera glycines), e vem obtido significativos resultados”, ressalta o pesquisador.

Outra estratégia citada pelo pesquisador é a adoção de boas práticas de manejo do solo e da cultura, caso da adubação equilibrada, uso de adubos verdes, controle eficiente de plantas daninhas, descompactação do solo, semeadura na época recomendada, etc.

“No caso de Praylenchus brachyurus, em que não há resistência genética no germoplasma da soja, o manejo do parasita tem sido feito, principalmente, pela semeadura de espécies de crotalária (adubo verde), em sucessão à soja”, complementa Dias.

Por fim, há outros cuidados e estratégias de manejo que exercem boa capacidade sobre o controle dos nematóides, tais como:

  • Limpeza de reservatórios de água e os canais de irrigação;
  • Uso de mudas produzidas em substratos esterilizados;
  • Lavagem cuidadosa de máquinas e implementos agrícolas, principalmente quando utilizadas em áreas infestadas pelos vermes;
  • Evitar plantios consecutivos com culturas suscetíveis ao verme;
  • Expor as camadas profundas do solo à radiação solar nas horas mais quentes do dia;
  • Uso sustentável e controlado de nematicidas químicos.

Para finalizar, vale relembrar que nunca vamos conseguir erradicar os nematóides em nossas lavouras, mas cabe a nós seguir estratégias para controla-los, amenizando, assim, possíveis prejuízos na produtividade.

Fonte: Agrishow

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